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“Comunicação de Risco e Riscos da InComunicação”

Minha dissertação de Mestrado

Thursday, October 20, 2011

Comunicação….Um outro olhar !

“Agir em comum”, como bem mostra a História das civilizações, não é tarefa de fácil execução. Comunicar, neste sentido, é uma ação que deve ser pensada, planejada, avaliada e re-avaliada quantas vezes for preciso. A reflexão sobre o tema não deve estar dissociada da ação, sob o risco de não efetivar-se um verdadeiro diálogo com o próximo. A comunicação organizada pode (e deve) ser um precioso auxílio para o crescimento do cidadão e para o estabelecimento de um quadro social justo e equilibrado. Constata-se que uma comunicação efetiva considera o público receptor (o primeiro interessado) enquanto co-produtor do conhecimento e de sentido, e não somente como receptor passivo de dados informacionais dispersos.

Se bem utilizada, a Comunicação Social pode se tornar um recurso estratégico capaz de efetivar uma ação social profunda e abrangente. Para promoção de bons hábitos de higiene a comunicação deve ser capaz de informar, educar e levar a ação ou seja provocar uma mudança de comportamento.

Não é por acaso que a acepção filosófica mais comum da idéia de Comunicação é seu sentido substantivo relativo ao desenvolvimento da personalidade humana e a construção de um ideal social que favorece a todos. De acordo com esta premissa, a comunicação organizada pode ser um precioso auxílio para o crescimento do sujeito e o estabelecimento de um quadro social justo e harmonioso. O fluxo de informações difundidas e/ou trocadas constitui, desta forma, a substância do pensamento social vigente. A qualidade (e não apenas a quantidade) destas informações seria o principal fator para a melhoria das condições de vida e a garantia do bem-estar da população. Isto, quando se trata de um bem precioso e sagrado como a saúde com boas práticas de higiene, implica um imperativo de uso ético da comunicação e não exclusivamente pragmático ou comercial.
De fato, no caso das questões sociais como a sanitária, apenas o trabalho de comunicação (informação, popularização, conscientização e sensibilização) é capaz de fornecer ao sujeito e ao grupo os subsídios simbólicos necessários para a avaliação dos riscos potenciais e a adoção de modus operandi preventivos eficazes. Isso implica na obrigação, por parte dos atores sociais, de elaborar estratégias comunicacionais específicas para a sensibilização e a conscientização da população quanto à possibilidade (eventualidade ou iminência) de crise ou ruptura no sistema vigente e a subseqüente necessidade de mudança de comportamento (hábitos, costumes e rotinas).

Assim, se deve buscar, em primeiro lugar, o estabelecimento de quadros comunicacionais de natureza dialógica que considerem o público receptor (o primeiro interessado) enquanto co-produtor do conhecimento e de sentido, e não somente como receptor passivo de dados informacionais dispersos, sem nexo evidente com seu contexto de vida. Assim fica claro  a importância da comunicação dialógica para uma troca efetiva entre emissores e receptores.

Ao pretender uma clara tomada de consciência, por parte do público, acerca dos perigos latentes que o rodeiam e ameaçam seu bem-estar, as campanhas de sensibilização devem abranger todos os aspectos da vida da população interessada e lhe tentar sugerir uma visão auto- reflexiva e objetiva de si mesmo; sem, todavia, desvalorizar seu saber empírico ou estigmatizar suas tradições e suas crenças no afã de não provocar atritos inúteis entre sua visão do mundo e sua auto-representação, de um lado, e o ideal preventivo almejado, por outro lado.

Assim, considerando que uma das maiores dificuldades em tornar o público- alvo sensível à ação do agente diz respeito à forma como esta (ação) lhe é apresentada e transmitida, deve-se desdobrar esforços para manter os níveis constitutivos do processo comunicacional natural e intimamente ligados ao seu contexto de origem, e do ambiente cultural. Precisamos da  colaboração do público no projeto social sanitário pretendido e a co-elaboração de uma estratégia social imediata e de fácil implementação na sua realidade local.

A comunicação deve resgatar, mais do que nunca, sua dimensão humana e humanista primária a sua raiz filosófica que nasce do instinto de estar junto para as condições vitais inerentes ao celebrar, compartilhar e comungar. De modo prático, o sucesso na empreitada de transformação do paradigma social e comportamental depende da efetiva capacidade de mobilização do grupo interessado e seu convencimento da validade da argumentação técnica e científica proposta e não imposta. Regra básica da Comunicação Social que   adquire um significado mais agudo quando se trata de um universo tão importante e vital como promoção de bons habitos de higiene, com a participação de toda a Sociedade Civil.

Rosane Lopes – Consultora de Comunicação (C4D)  para Água e Saneamento e Gestão de Crises – www.comunicacaoderisco.com

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